14º CONSENGE - Carta de Minas Gerais reafirma compromisso da Engenharia com a soberania nacional e o desenvolvimento do Brasil
14º CONSENGE - CONGRESSO NACIONAL DE SINDICATOS DE ENGENHEIROS
Carta de Minas Gerais - Compromisso da Engenharia com a soberania nacional e o desenvolvimento do Brasil
A Engenharia, a Agronomia e as Geociências têm papel estratégico na construção de um projeto de país. Essa é uma das principais mensagens da Carta de Minas Gerais, documento aprovado durante o 14º Congresso Nacional de Sindicatos de Engenheiros (Consenge), realizado em Belo Horizonte entre os dias 26 e 29 de agosto de 2026.
Com o tema “A Engenharia e a Defesa da Soberania Nacional”, o Congresso reuniu debates e propostas voltados à valorização das profissões e à construção de um projeto nacional de desenvolvimento. A Carta resgata também a trajetória do Consenge, que retorna a Belo Horizonte 35 anos após a realização de sua primeira edição, em 1991.
O documento apresenta uma visão de longo prazo para o Brasil, defendendo a reconstrução da capacidade produtiva nacional, o fortalecimento do Estado e dos bancos públicos, investimentos em infraestrutura e indústria, além da retomada da expansão da malha ferroviária. Também destaca a importância de políticas que reduzam a dependência do transporte rodoviário e fortaleçam setores estratégicos, como o saneamento e a energia.
Tecnologia, trabalho e soberania digital
A transformação tecnológica também ocupa lugar central na Carta. O documento defende um debate ético e político sobre o uso da inteligência artificial nas profissões, incluindo a necessidade de transparência quanto à sua aplicação em projetos de Engenharia, Agronomia e Geociências.
Ao mesmo tempo, propõe a regulação social e econômica da inteligência artificial e das plataformas digitais, bem como investimentos em infraestrutura tecnológica brasileira como forma de fortalecer a soberania digital. No campo do trabalho, reivindica regulamentações que assegurem proteção social, saúde dos profissionais e fortalecimento das negociações coletivas.
A Carta também se posiciona pelo fortalecimento dos sindicatos e por uma nova política sindical, além de defender o fim da escala 6x1, relacionando a organização do trabalho à qualidade de vida, ao acesso à cultura, ao lazer, à educação e à divisão justa do trabalho de cuidado.
Desenvolvimento com sustentabilidade e justiça social
A emergência climática é outro eixo destacado pelo documento. A Carta defende que a tecnologia esteja a serviço da preservação ambiental e da proteção das florestas, mares, rios, fauna e flora, assim como dos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e comunidades tradicionais.
Nesse contexto, valoriza soluções como a agroecologia e a agricultura familiar e propõe enfrentar o extrativismo, o racismo ambiental e as diferentes formas de degradação ambiental. Também defende que a exploração de terras raras esteja associada ao desenvolvimento tecnológico nacional e à construção de uma cadeia produtiva soberana, com preservação ambiental e respeito aos povos originários e comunidades tradicionais.
O documento reafirma ainda o compromisso com a vida das mulheres e com o enfrentamento ao feminicídio, além de reivindicar a participação dos profissionais da Engenharia, Agronomia e Geociências nos espaços de decisão, planejamento e formulação de políticas públicas nos diferentes níveis de governo.
Formação profissional e valorização das profissões
Na área da educação, a Carta reivindica a aplicação da Resolução nº 07/2018 do Conselho Nacional de Educação, que estabelece a destinação de pelo menos 10% da carga horária dos cursos de graduação às atividades de extensão.
Também defende o fim do ensino a distância nos cursos de graduação em Engenharia, Agronomia e Geociências e a adoção de critérios rigorosos para a autorização e abertura de novos cursos, com o objetivo de assegurar uma formação profissional de qualidade.
Um projeto nacional para o futuro
Ao final, a Carta de Minas Gerais propõe a construção de um pacto social capaz de reunir forças em torno de um projeto nacional de desenvolvimento de longo prazo, ambientalmente sustentável, inclusivo e soberano.
Para o movimento sindical da Engenharia, o documento representa um posicionamento coletivo em defesa da valorização profissional e de uma participação mais efetiva das categorias técnicas na formulação das políticas públicas e nos rumos do desenvolvimento brasileiro.
O SEAGRO-SC compartilha e divulga a Carta de Minas Gerais como parte do compromisso permanente com a valorização da Agronomia, da Engenharia e das profissões tecnológicas e com a construção de um Brasil soberano, democrático, socialmente justo e ambientalmente sustentável.
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