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18/11/2009 - Artigo do DC - Resíduo do urbano, por Álvaro Simon

Historicamente, o meio rural tem sido visto como um resíduo de tudo aquilo que é urbano, em especial quando se trata de políticas públicas. A palavra rural vem do latim, rus, ruris (campo, terras de lavoura), significando o oposto de cidade, urbs, urbis. O conceito de rural foi cunhado nos anos 1930 e agora se encontra defasado diante da complexidade da realidade atual. Por conta disso, um novo conceito de rural está sendo gestado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário para orientar novas políticas e reorientar políticas já consolidadas, como o caso do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf). Com base num conceito que revela um meio rural brasileiro como espaço de vida, de produção de serviços ambientais, além da valorização da produção agrícola, que se tenta consolidar a Lei de Assistência Técnica e Extensão Rural e a Política de Desenvolvimento para o Brasil Rural.
Pesquisas recentes mostraram que pouco mais da metade da população brasileira está nos centros urbanos, mas não revelaram que quase metade está no meio rural. Esta interpretação retira a importância do rural no desenvolvimento do país, diminuindo, com isso, os investimentos que poderiam melhorar a qualidade de vida desta parcela importante de brasileiros. A legislação brasileira atual não define o que é rural. Rural é, então, o que sobra, por enquanto. Nesse entendimento, quando o rural se desenvolve passa a ser urbano, e a ideia de um rural melhor não existe. Por conta disso, só vive no campo quem tem alguma ligação com a terra, mesmo sem o acesso a bens, serviços e emprego. Isso tudo traduz os desafios mais imediatos que os próximos governos deverão enfrentar.
* Engenheiro agrônomo da Epagri
FONTE:
Diario Catarinense - 18 de novembro de 2009 | N° 8627, ou na Internet:
http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2720742.xml&template=3898.dwt&edition=13548§ion=1320
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